Leite materno e vacina

Ao nos aproximarmos do mês de agosto, que na pediatria é o AGOSTO DOURADO, mês em que comemoramos a semana mundial de promoção ao aleitamento materno, cujo tema esse ano é “Apoiar a mulher que amamenta para um planeta mais saudável”, não podemos deixar de lembrar dessa dupla inseparável da imunidade infantil : leite materno e vacina. Cada um atua de uma maneira diferente na formação de defesas do organismo e juntas
aumentam de modo significativo a proteção contra os riscos de doenças.
A amamentação é uma das principais estratégias para redução da mortalidade infantil e ela fornece a nutrição adequada para o crescimento e desenvolvimento do bebê, sendo um alimento natural, renovável, produzido e oferecido ao bebê na temperatura ideal. Mesmo nos casos de mães infectadas pelo coronavírus e que não se sintam à vontade para amamentar diretamente, poderão extrair seu leite manualmente ou usando bombas de extração láctea (logicamente, com higiene adequada) e um cuidador saudável poderá oferecer o leite ao bebê por copinho, xícara ou colher.
Poderíamos citar evidências científicas diversas, as quais comprovam que essas duas formas de proteção devem ser adotadas em conjunto. Podemos citar que os bebês amamentados exclusivamente até os 6 meses ficam mais protegidos contra várias doenças infecciosas e alérgicas e respondem mais rapidamente aos efeitos das vacinas na
produção de anticorpos. O leite materno fornece anticorpos da mãe contra diarreias, pneumonias, otites, meningites, etc…, assim como reduzem a agressividade dos microrganismos nocivos. Porém, o alimento sozinho não é suficiente para gerar proteção completa, sendo a vacinação ESSENCIAL, uma vez que cada imunizante induz o
organismo da criança a produzir anticorpos específicos contra determinadas doenças.
A vacinação de rotina não pode ser deixada de lado, nem ser interrompida mesmo nesse período de pandemia pelo Covid 19. As unidades de saúde estão preparadas para esse atendimento obedecendo todas as medidas de segurança, amplamente conhecidas e divulgadas à população. Com essa união do aleitamento materno à vacinação
teremos crianças mais saudáveis e que certamente desenvolverão menos doenças ao longo de suas vidas.
Segundo fontes da Organização Mundial de Saúde (OMS), a mortalidade em bebês é 6 vezes menor naquelas que são amamentadas nos primeiros meses de vida, e conforme essa amamentação se estende, crescem os seus benefícios.
820.000 mortes por ano no mundo poderiam ser evitadas em crianças abaixo de 5 anos de idade, caso tivessem sido amamentadas até pelo menos os primeiros 2 anos, e de forma exclusiva até os 6 meses. Assim como, 2 a 3 milhões de mortes são evitadas no mundo, anualmente, com a vacinação.
Esses poucos argumentos mostram toda a importância do aleitamento materno e das vacinas. Vamos incentivar e orientar a todos, prevenção ainda é o melhor remédio!

Escrito por: Dr. Othon Mercadante Becker – Pediatra CRM: 41355

27 de julho – dia do Pediatra

Nos idos de 1722, o médico Theodore Zwinger, professor da Faculdade de Medicina da
Basiléia – Suíça , atento em suas observações clínicas, percebeu que os sinais e sintomas de uma mesma doença que acometiam tanto crianças quanto adultos apresentavam diferenças em sua forma e no conteúdo, levando à afirmação de que a criança não é uma miniatura do adulto e sim, um ser em formação. Baseado nessa sua percepção escreveu um livro ao qual deu o título de “Paedoiatreia – as doenças na infância”, de onde veio a palavra “pediatria”.
A pediatria é a especialidade da medicina que estuda, trata e acompanha o ser humano
desde o nascimento até a adolescência, ou até mesmo antes do nascimento na fase perinatal, quando há a necessidade de uma orientação pediátrica. O pediatra atua na busca constante da prevenção de doenças, desde o início da vida através do acompanhamento do aleitamento materno, imunizações (vacinas), prevenção de acidentes e sempre fornecendo às mães (e muitas vezes as avós também) as orientações necessárias para o crescimento e desenvolvimento saudável de seus filhos. E, quando necessário, intervenções curativas através de procedimentos e tratamentos de diversas patologias que
acometem as crianças e adolescentes, utilizando-se do melhor de sua capacidade profissional para a qual foram treinados e habilitados.
“Eu, pediatra, prometo que farei pela criança que me é confiada o que faria pelo filho da
minha carne “. Esse é o juramento do pediatra que comemora no Brasil o seu dia em 27 de julho, data essa escolhida por ser o dia da fundação da Sociedade Brasileira de Pediatria, essa centenária e importante instituição criada para a defesa da saúde da criança e adolescente que ocorreu em 27 de julho de 1910.
E, coincidentemente, 27 de julho é a data em que se comemora o aniversário da nossa
querida cidade de São José dos Campos, que nos acolheu e onde exercemos as nossas atividades profissionais. Por ser um feriado não temos jantares de confraternização …, mas com certeza temos o apreço e o reconhecimento de nossos colegas e dos pacientes, muitos deles que cresceram e hoje nos trazem seus filhos.
Feliz dia do pediatra!

Escrito por: Dr. Othon M. Becker – Pediatra – CRM: 41355

Desafios do novo normal na saúde corporativa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no dia 11 de março de 2020 a pandemia do novo coronavirus, denominado SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19.
São aproximadamente 14 milhões de casos confirmados no mundo e 2 milhões no Brasil com 80 mil óbitos.
Em São Paulo 400 mil casos com 19mil óbitos.
Desde então o mundo mudou e perguntas norteiam nossos pensamentos e reuniões estratégicas. Como lidar com os desafios para o Futuro da Saúde e do Trabalho diante da pandemia da Covid-19?
O primeiro passo é formar um grupo de crise com equipe multiprofissional, com o envolvimento da alta gestão, recursos humanos, segurança e saúde do trabalho.
O grupo deve definir o protocolo de manejo descordo com o perfil da empresa e com base nas diretrizes dos órgãos competentes e normas vigentes.
É fundamental implantar ações para mitigar o risco do contágio no ambiente produtivo.
Implementar o uso obrigatório da máscara, o distanciamento social, o não compartilhamento dos objetos, além de manter as salas arejadas, evitar qualquer tipo de aglomeração e triagem com aferição de temperatura.
O colaborador também deve assumir a sua responsabilidade, cumprir as medidas, realizar a higiene adequada das mãos e a etiqueta respiratória. Importante manter as diretrizes de etiqueta social de higienização, utilizando máscaras, respeitando o distanciamento e principalmente evitando aglomerações em seus horários
livres e de lazer.
As empresas devem conduzir os casos de maneira responsável através de uma comunicação efetiva diante de casos suspeitos com sintomas ( febre, diarreia, dor no corpo, cefaleia, tosse espirro, coriza, dor de garganta, falta de ar, perda de olfato e paladar) e ou os casos que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados
sem uso e máscara e sem distanciamento adequado.
Os casos confirmados deverão permanecer afastados no mínimo 14 dias.
O teletrabalho deve ser priorizado principalmente para o grupo de risco para complicação da covid-19 como idosos acima de 60 anos, doentes crônicos descompensados, imunodeprimidos e gestantes.
Além de todo o cuidado e manejo de prevenção segmento dos casos o desafio é seguir as tendências como o home office, que vieram para ficar.
Os casos de doenças psicossociais aumentam significativamente e investimentos na prevenção da saúde mental devem ser feitos para minimizar impactos sociais e profissionais.

A gestão de pessoas, de riscos e até mesmo a autogestão em um cenário de crise é desafio com aprendizados diários.
Comunicação, resiliência e atualização são itens fundamentais, o protocolo é vivo e as pesquisas estão em andamento.
O que ficou claro com a pandemia é que as empresas devem cuidar do seu bem mais precioso: as pessoas.

Escrito por: Dra. Nathalia Caterina CRM: 162639 – Médica ocupacional

A humanização na relação médico paciente

” Viu, sentiu compaixão, e cuidou dele” – Lucas 10:33-34

Certa feita um paciente se queixou do atendimento que recebera de um colega para o qual eu lhe encaminhara pedindo um parecer:” Acredite Doutor,
a consulta durou 05 minutos, com o médico em pé, e eu também!”. Liguei em
seguida para esse colega: ” Puxa meu amigo, você atendeu o paciente que te
encaminhei em 05 minutos?” ao que ele, sem esconder a ironia, respondeu:
“Pois é João Manuel, você sabe como é né, na primeira consulta a gente
sempre demora um pouquinho mais…”. Foram horas de espera, em troca de uma
consulta fria e rápida.

Bernard Lown, em A ARTE PERDIDA DE CURAR, afirma: “a medicina jamais teve a
capacidade de fazer tanto pelo homem como hoje. No entanto, as pessoas nunca
estiveram tão desencantadas com seus médicos. A questão é que a maioria dos
médicos perdeu a arte de curar, que vai além da capacidade do diagnóstico e
da mobilização dos recursos tecnológicos”; muitos médicos não olham mais nos
olhos dos pacientes, ou o ouvem com sincera atenção, ou se quer realizam um
exame físico adequado. Quando um paciente diz” Doutor, estou em suas mãos!”
ele espera exatamente isso: que o toquemos com nossas mãos, que o
examinemos e dele cuidemos atenta e respeitosamente.
Se medicina já é uma atividade humana porque a necessidade de humaniza-la?
Aprendemos na Faculdade, que a Medicina não é apenas ciência, mas também arte, e
que o nosso paciente não é uma doença, um diagnóstico, um CID,
mas um ser humano com história, com sentimentos, com amigos,
familiares, frustrações e angustias; não é o “tumor de cabeça de pâncreas do leito
10″, como me disse uma vez um colega, mas alguém que merece, além de todo
o processo investigativo e terapêutico, ser tratado como ser humano, numa
comunicação entre duas pessoas na qual uma tem o conhecimento para ajudar
a outra, que, por sua vez, tem um problema de saúde e merece ser tratada com dignidade.

Por onde anda a boa relação médico paciente ? No passado havia uma relação
forte e estreita entre médicos, pacientes e seus familiares; havia aquele
médico que conhecia muito bem o seu paciente e o acompanhava – as vezes
também ‘a sua família – ao longo de toda a vida .Em que momento foi que nos
distanciamos ? Foi com o advento dos convenios? Foram as novas tecnologias que nos permitiram
impensáveis e extraordinários avanços nos diagnósticos e tratamento das
doenças mas talvez tenham nos afastado do proprio paciente e diminuido a percepção
que nem todo “mal -estar” pode ser compreendido só através de exames
laboratoriais, invasivos ou por imagens? Ou talvez a “correria” do nosso dia
a dia, que inclui múltiplos afazeres e atividades profissionais que
precisamos encaixar dentro de orçamentos e agendas pessoais cada vez mais apertados?
Quem sabe a divisão do conhecimento em tantas especializadas e sub
especialidades tenha “roubado” do médico a visão do todo que é o seu
paciente? E o resultado é que passamos a focar muito mais na doença e nos resultados dos exames do que no próprio doente,que,afinal, é o principal motivo dos médicos existirem.
Temos especialidades hoje que prescindem do contato direto com o paciente,onde a tecnologia substitui o dialogo.Não podemos nos esquecer que cerca de 70% de todos os diagnósticos são alcançados apenas com r uma boa anamnese.
Por que os médicos do passado eram mais respeitados, quase venerados por pacientes que seguiam rigorosamente suas orientações ? Porque os conheciam melhor e ‘a sua familia? Dedicavam-lhes mais tempo? transmitiam mais confiança ao dizerem “fique tranquilo que vamos resolver isso”,do que nós hoje? Porque talvez trabalhassem melhor a fé e a religiosidade de seus pacientes?
Será a fé , merecedora de investigação e analise pela ciencia ,a ponto de ser utilizada em conjunto com a medicina moderna? Parece sim haver um beneficio tanto para os pacientes quanto para as suas familias quando aspectos religiosos e espirituais são respeitados.

Resgatar nossas raízes, recuperar a relação médico-paciente – um conjunto que envolve respeito, compromisso, ética, confiança, sinceridade, ciência e fé -, é condição sine qua non para o bom exercício da medicina, e isso passa obrigatoriamente por reumanizar o próprio profissional da saúde.
Para isso é preciso “gostar de gente “, reconhecer que não existem só doenças, mas também doentes e pôr em prática o amor ao próximo, utilizando todos os recursos que a medicina moderna nos disponibiliza.

João Manuel Maio