A HUMANIZAÇÃO NA RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE

” Viu,sentiu compaixão,e cuidou dele” – Lucas 10:33-34

Certa feita um paciente se queixou do atendimento que recebera de um colega para o qual eu lhe encaminhara pedindo um parecer :” Acredite Doutor,
a consulta durou 05 minutos , com o médico em pé, e eu também!”.Liguei em
seguida para esse colega : ” Puxa meu amigo, você atendeu o paciente que te
encaminhei em 05 minutos?” ao que ele, sem esconder a ironia, respondeu :
“Pois é João Manuel, você sabe como é né, na primeira consulta a gente
sempre demora um pouquinho mais…” . Foram horas de espera, em troca de uma
consulta fria e rápida .

Bernard Lown, em A ARTE PERDIDA DE CURAR, afirma : “a medicina jamais teve a
capacidade de fazer tanto pelo homem como hoje. No entanto, as pessoas nunca
estiveram tão desencantadas com seus médicos. A questão é que a maioria dos
médicos perdeu a arte de curar, que vai além da capacidade do diagnóstico e
da mobilização dos recursos tecnológicos”; Muitos médicos não olham mais nos
olhos dos pacientes, ou o ouvem com sincera atenção, ou se quer realizam um
exame físico adequado. Quando um paciente diz” Doutor ,estou em suas mãos!”
ele espera exatamente isso : que o toquemos com nossas mãos ,que o
examinemos e dele cuidemos atenta e respeitosamente.
Se medicina já é uma atividade humana porque a necessidade de humaniza-la?
Aprendemos na Faculdade, que a Medicina não é apenas ciencia, mas também arte, e
que o nosso paciente não é uma doença, um diagnóstico, um CID,
mas um ser humano com história, com sentimentos, com amigos,
familiares, frustrações e angustias; Não é o “tumor de cabeça de pâncreas do leito
10″, como me disse uma vez um colega, mas alguém que merece ,além de todo
o processo investigativo e terapêutico, ser tratado como ser humano, numa
comunicação entre duas pessoas na qual uma tem o conhecimento para ajudar
a outra,que, por sua vez, tem um problema de saúde e merece ser tratada com dignidade.

Por onde anda a boa relação médico paciente ? No passado havia uma relação
forte e estreita entre médicos, pacientes e seus familiares; havia aquele
médico que conhecia muito bem o seu paciente e o acompanhava – as vezes
também ‘a sua família – ao longo de toda a vida .Em que momento foi que nos
distanciamos ? Foi com o advento dos convenios? Foram as novas tecnologias que nos permitiram
impensáveis e extraordinários avanços nos diagnósticos e tratamento das
doenças mas talvez tenham nos afastado do proprio paciente e diminuido a percepção
que nem todo “mal -estar” pode ser compreendido só através de exames
laboratoriais, invasivos ou por imagens? Ou talvez a “correria” do nosso dia
a dia, que inclui múltiplos afazeres e atividades profissionais que
precisamos encaixar dentro de orçamentos e agendas pessoais cada vez mais apertados?
Quem sabe a divisão do conhecimento em tantas especializadas e sub
especialidades tenha “roubado” do médico a visão do todo que é o seu
paciente? E o resultado é que passamos a focar muito mais na doença e nos resultados dos exames do que no próprio doente,que,afinal, é o principal motivo dos médicos existirem.
Temos especialidades hoje que prescindem do contato direto com o paciente,onde a tecnologia substitui o dialogo.Não podemos nos esquecer que cerca de 70% de todos os diagnósticos são alcançados apenas com r uma boa anamnese.
Por que os médicos do passado eram mais respeitados, quase venerados por pacientes que seguiam rigorosamente suas orientações ? Porque os conheciam melhor e ‘a sua familia? Dedicavam-lhes mais tempo? transmitiam mais confiança ao dizerem “fique tranquilo que vamos resolver isso”,do que nós hoje? Porque talvez trabalhassem melhor a fé e a religiosidade de seus pacientes?
Será a fé , merecedora de investigação e analise pela ciencia ,a ponto de ser utilizada em conjunto com a medicina moderna? Parece sim haver um beneficio tanto para os pacientes quanto para as suas familias quando aspectos religiosos e espirituais são respeitados.

Resgatar nossas raizes, recuperar a relação médico-paciente – um conjunto que envolve respeito,compromisso,ética,confiança,sinceridade ,ciencia e fé -, é condição sine qua non para o bom exercicio da medicina ,e isso passa obrigatoriamente por re-humanizar o próprio profissional da saúde.
Para isso é preciso “gostar de gente ” ,reconhecer que não existem só doenças mas também doentes e pôr em prática o amor ao próximo,utilizando todos os recursos que a medicina moderna nos disponibiliza.

João Manuel Maio

A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados

O médico David Souza Lima, presidente da APMSJC (Associação Paulista de Medicina), em São José dos Campos, ressalta que a pandemia do novo coronavírus reforçou ainda mais o papel dos médicos dentro da sociedade. Segundo ele, os profissionais que atuam na linha de frente estão sobrecarregados e a saúde mental deles também merece um cuidado especial.

“A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados, e que a pandemia mostrou e reforçou a grande necessidade e importância dos profissionais de saúde para a sociedade”, diz o médico.

A seguir, a entrevista completa com o com dr. David.

Como a pandemia reforçou o papel dos médicos?

Os médicos, assim como os outros profissionais considerados essenciais, reforçaram o seu protagonismo na sociedade. Os médicos que estão na linha de frente atendendo nos pronto socorros, enfermarias e UTIs têm ficado bastante sobrecarregados. A cobrança é muito grande e a tensão também, mas percebe-se que têm atuado com muita responsabilidade e sempre pensando no melhor para o paciente.

O que mudou no dia a dia na atuação dos profissionais de saúde?

O modo de trabalhar com medidas sanitárias mais rigorosas. O medo de se contaminar e contaminar outras pessoas tem gerado um stress grande nos profissionais da Saúde. Muito importante um olhar e um cuidado especial para saúde mental desses profissionais também.

Que tipo de cuidados extras os médicos estão tomando durante este período? Como os médicos estão lidando com essa pressão?

Equipamentos de proteção individual específicos estão sendo adotados, não é fácil a pressão psicológica e o medo de se contaminar, além de muitas horas extenuantes de trabalho com uma tensão maior do que a maioria estava acostumada.

A categoria médica poderá sair mais valorizada deste período de pandemia?

A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados, e que a pandemia mostrou e reforçou a grande necessidade e importância dos profissionais de saúde para a sociedade.

É possível acreditar na descoberta rápida e segura da vacina contra a Covid-19? Ou ao menos um tratamento realmente eficaz?

Sim, a APM acredita na ciência e que a comunidade médica mundial está se mobilizando para que a vacina ou um tratamento eficaz esteja o mais rápido possível ao alcance de todos. Recentemente saiu um trabalho muito importante mostrando a importância da [email protected] no tratamento da Covid-19. Protocolos já estão sendo mudados e a medicação já está começando a ser usada de forma rotineira, dependendo do quadro clínico que se apresente.

É possível dizer que já se atingiu o pico da pandemia no Brasil? Até que ponto o distanciamento social pode ajudar?

Os dados mostram que devemos nos preocupar sim com a curva, e que o distanciamento social é uma medida muito eficaz – talvez a mais importante entre todas, porém não podemos nos esquecer de todas as outras (lavar as mãos com frequência, uso do álcool gel, tomar um banho e trocar de roupa toda vez que chegar da rua, não entrar com sapatos em casa, uso de máscaras)

Qual a importância da parceria entre o OVALE e a APM?

A informação correta pode salvar vidas. Por isso, parcerias que dão visibilidade a informações de qualidade são de extrema importância.