Estudos mostram que 1 em cada 10 pessoas têm bipolaridade

Se você achava que aquele vizinho do apartamento de cima que ficava gritando com a
esposa quase todos os dias, era bipolar, talvez você estivesse certo. Estudos realizados em
Zurique na Suíça, e replicados em quase todo o mundo, inclusive no Brasil, mostram que até 10 % da população preenche critérios diagnósticos para o chamado Espectro Bipolar.
Antigamente, os pesquisadores só consideravam bipolares, as pessoas que apresentavam
sintomas da bipolaridade, por no mínimo 4 dias. Com o passar do tempo, foi percebido que
muitas pessoas têm oscilação do humor em períodos menores, como 1 ou 2 dias, ou
pasmem, até no mesmo dia. Assim, hoje sabemos que as pessoas podem acordar mais
deprimidas e ao longo do dia apresentar mudanças de humor, que podem passar por uma
simples irritabilidade, mas podem chegar a uma exaltação de difícil controle, o que
simplesmente pode arruinar um casamento, ou até mesmo afastar um filho do núcleo de
uma família.

As pessoas que pertencem ao Espectro Bipolar, permanecem a maior parte de suas vidas
em depressão, mas sabemos que é um tipo de depressão diferente, que os pesquisadores
convencionaram chamar de depressão bipolar. Essa depressão é diferente pois sabemos
que os pacientes com depressão unipolar não têm variação do humor, permanecem
praticamente todo o tempo sem energia, com pouca disposição para sair de casa, sem
motivação para trabalhar e com uma tristeza contínua, enquanto os pacientes portadores
da bipolaridade, ao contrário, frequentemente tem acessos de irritação ou mesmo raiva,
tem energia para fazer muitas coisas. Sentem-se acelerados, pilhados. Iniciam projetos com muita frequência, como estudar ou começar uma academia, mas raramente conseguem levar adiante, pois em outro momento, que pode ser no dia seguinte, encontram-se completamente apáticos e sem energia. São pessoas que devido à instabilidade do humor, raramente conseguem manter um relacionamento estável. Brigas e desentendimentos frequentes as tornam cansativas para os outros. Têm o sono irregular. Muitas vezes dormem pouco ou tem uma necessidade diminuída de sono e frequentemente apresentam o que chamamos de inversão do sono, ou seja, passam a noite acordados, com uma produção que não acontece durante o dia – um paciente disse que só conseguia compor seus poemas durante a madrugada – passando a maior parte do dia dormindo, com
sensação de mal-estar e tristeza. São pessoas com uma baixa autoestima e também
pequena autoconfiança, pois sentem-se incapazes de concluir um trabalho, mesmo que seja simples, como manter a sua casa organizada. Esse transtorno, ainda hoje, é pouco
reconhecido pelos médicos, talvez porque os pacientes os procurem quando se sentem deprimidos, tristes, sem vontade de fazer as coisas, e recebem o diagnóstico simplesmente
de depressão. Sabemos que metade dos pacientes diagnosticados inicialmente como
depressivos unipolares, na verdade são bipolares.
A consequência desse erro diagnóstico é drástica, pois a maioria desses pacientes vão
receber antidepressivos, que muitas vezes, por jogar o ânimo do paciente para cima, podem induzir a oscilação do humor, aumentando as crises de agitação, aceleração do
pensamento, ansiedade e agressividade, que pertencem ao polo oposto da depressão,
também conhecido como hipomania, que caracteriza as pessoas que pertencem ao
espectro bipolar.
O correto é procurar o psiquiatra, para um diagnóstico preciso e iniciar tratamento
adequado, que muitas vezes reconduz o paciente para uma vida tranquila, com recuperação
do trabalho e da vida conjugal.


Escrito por: Dr. Odeilton Tadeu Soares – É Mestre em Psiquiatria pela USP e
Diretor Científico da APM-SJC CRM: 68139

Envelhecer em sociedade

Os velhos incomodam, mas afirmar isso, nos tempos atuais, é politicamente incorreto. É mais aceito qualificar os idosos como joviais, fofos, uma gracinha, está tão lúcido, enfim, elogios que camuflam uma discriminação a quem realmente são, sua história, seus valores e ao que representam. Tanto incomodam que vão para o escanteio, ou por moto próprio (por um “semancol”) ou por ação da sociedade.
Os velhos incomodam ao se tornarem mais limitados, física ou psiquicamente. Têm enorme dificuldade de se adaptar aos amplificadores auditivos; ouvem mal e por isso ou por qualquer outro motivo são alijados das conversas, não acompanham as tecnologias, perdem a relevância social e econômica, vão se tornando um peso.
Outros velhos incomodam. Incomodam por serem ativos, por terem valores claros, disciplina, opiniões, sinceridade que na juventude às vezes não aparece. Quando lúcidos e ativos, os velhos incomodam os jovens.
Eu gostaria de envelhecer como sempre gostei de viver, adequado à fase de vida. Na última fase da vida os projetos são mais curtos, os valores mais claros, as escolhas mais lúcidas. Os relacionamentos são mais antigos, mais enraizados e, ao mesmo tempo, constantemente renovados, ressignificados. Os aprendizados, destilados pelo tempo, mais verdadeiros. O legado – plante uma árvore, escreva um livro, participe de ações sociais – vai ganhando importância. Somos cadáveres adiados que procriam (Fernando Pessoa) ou durante toda a vida somos idosos incompletos, em formação; enfim, idosos não são eles, somos nós.
Há um momento, porém, em que o envelhecimento provoca uma alteração profunda. Em que nos tornamos uma pálida ideia de quem fomos um dia. É quando advém a fragilidade, a dependência, a demência e por aí vai. Quanto mais avançada a sociedade, melhor o amparo que receberemos nesta fase da vida. Tendo esta perspectiva, incorporando completamente a possibilidade de nos tornarmos dependentes, fica mais fácil empatizar com os idosos e cuidar adequadamente. Com esse olhar, já não cuidamos deles, cuidamos de todos nós. A educação é o maior patrimônio de uma sociedade. Ela é a mãe
do respeito, da consideração pela essência do ser. Ela que permite à sociedade prosperar em seus valores, diferenciando-se, criando uma cultura e tornando-se única. A educação de seres tão incompletos que somos se inicia em casa e continua na família ampliada, na escola e na vida. Valorizar o que aprendemos melhora nosso desempenho social e a sociedade de pessoas educadas respeita os seres mais vulneráveis, respeita a humanidade. Investir em educação é o que há de mais importante para termos uma sociedade desenvolvida e respeitadora de seus idosos.

Escrito por: ROBERTO SCHOUERI JR – GERIATRA CRM 48201

Suicídio : É possível prevenir?

Acordara como todos os últimos dias, sem vontade para nada. Via suas olheiras profundas e escuras, e lembrava-se do tempo em que se achava bonita. Era muito agradável aquelas tardes em que perdia tempo para se arrumar. Tinha, àquela época o olhar vivo, característico da juventude e um sorriso fácil, presente naqueles que não tem com o que se preocupar. Afinal, boas notas na escola e a fama de “boa menina”, conquistada com seu jeito educado:


“Bom dia, dona Antônia, quer que eu ajude com as compras?”


Não titubeava em dizer quando via a velhinha, sua vizinha, caminhando com uma sacola, cheia de frutas e cereais comprados no mercadinho do Sr. João, que ficava ao lado de sua casa. Tudo isso ficou no passado, desde aquele dia em que, chamava pela mãe insistentemente, e ouvia apenas o miado de sua gata, que parecia dizer que algo estava errado. Quando abriu a porta do quarto, nos fundos da casa, com dificuldade, empurrando a penteadeira que fora colocada ali, fazendo um barulho estridente, que nunca mais esqueceu, pois o mesmo ficou ligado a cena que viu a seguir, com sua mãe deitada sobre a cama, inerte, triste, olhar sem direção. Ao lado, sobre o criado mudo, várias cartelas de comprimidos que a mulher tomava para tratar uma depressão, que tinha desde o tempo de seu casamento e que piorou muito após o marido sair de casa, para morar com outra mulher.

O sentimento de impotência, foi substituído por vigor e não perdeu tempo, mas quando o SAMU chegou, viu sua esperança esvair, e desde aquele dia, sua
vida não seria mais a mesma.
Dormia sim, mas com remédios, que o Dr. Cosme, que também tratou de sua mãe, lhe
recomendava:
“Não fique sozinha, vá morar com sua tia. A solidão impede a solução da depressão”.


Ela não teve coragem de sair daquela casa, comprada com tanto suor. Ouvia da mãe, que a
última prestação, paga no ano anterior, foi a maior conquista da sua vida, e não teria coragem de vender ou mesmo ceder para outras pessoas morarem. Cada cômodo daquela morada tinha um significado especial.
“Essa poltrona era da sua avó. Mandei reformar e vai servir para ver televisão”. Lembrava-se da voz macia de sua mãe, feliz, passando as mãos calejadas no tecido, no dia em que mandou forrar aquela estranha cadeira, que antes servia apenas como suporte para um vaso de “antúrios”, que ficava no quintal.
Nos primeiros anos, a recomendação do médico parecia sem sentido. Sentia-se feliz em conviver com lembranças de sua mãe, e tinha em seu namorado, a esperança de dias felizes em um futuro próximo.

Mas quando recebeu aquela mensagem “Eu não te amo mais, e já estou namorando outra moça” os sentimentos negativos voltaram a predominar.
Acordou, desta vez determinada, foi ao mercadinho.
“Seu João, tem veneno de rato?”
Em casa, aquela cama, a mesma em que viu sua mãe pela última vez, foi o local escolhido, para ser também o seu leito de morte. E assim foi…
A maioria das pessoas que tentam o suicídio tem transtornos mentais, como depressão,
esquizofrenia, transtorno bipolar e dependência de drogas.
A solidão, término de relacionamentos, problemas financeiros são fatores de risco para o suicídio. Mas com diagnóstico e tratamento correto dos transtornos, mais de 90% dos suicídios podem ser evitados. A maioria das pessoas que tentam o suicídio, dão um sinal de que pensam em tirar a própria vida. Os suicidas são ambivalentes, pensam em morrer, mas desejam um tipo de ajuda.
A pessoa muda o comportamento, fica mais triste, falta ao trabalho. Precisa de alguém para ouvir, acolher, recomendar que busque ajuda, preferencialmente de um profissional habilitado. Sim, é possível prevenir o suicídio.

Escrito por: ODEILTON TADEU SOARES – PSIQUIATRA CRM 37279

Telemedicina ao seu alcance

A APM Estadual firmou parceria com a maior empresa de Telemedicina do mundo – Teladoc, com o intuito principal de propiciar segurança e solidez ao nosso associado que queira praticar a Telemedicina durante este período de pandemia da Covid-19. A APM em breve enviará um e-mail com o link através do qual o associado poderá fazer a
inscrição na plataforma e iniciar o processo de aquisição do certificado digital da Valid, necessário para a emissão dos documentos médicos como prescrição de medicamentos, pedidos de exames, atestados, relatórios médicos, entre outros.
Para o paciente acessar o seu médico, será necessário que ele baixe o aplicativo da Teladoc nas lojas Apple Store ou Google Play no seu celular. Quando o paciente precisar de uma consulta remota, bastará que entre em contato com o consultório do médico, solicite a consulta no dia e horário desejados, procure o médico no aplicativo da Teladoc
em seu celular e clique no dia e hora da consulta agendada junto ao consultório do médico. No dia e horário marcados, o médico acessará a plataforma em seu computador através do site https://tdocop.com.br/login e o paciente fará o mesmo, mas através do aplicativo do seu celular.
Além disso, a APM fez parceria com o link PinPag (https://apm.pinpag.com.br/#/), por meio do qual é possível fazer a cobrança da consulta, bem como dos outros serviços médicos, sendo que o paciente poderá parcelar em até 12 vezes, sem qualquer custo para o médico, que recebe o valor integral em 15 minutos. Isso mesmo, sem desconto e na hora. Nosso associado não paga nem pela plataforma, nem pelo certificado digital, nem pela parceria com o PinPag.
O médico terá acesso também a um prontuário eletrônico pela plataforma Teladoc, onde será registrado todo o atendimento médico, sem custo também. Prescrições, atestados, pedidos de exames podem ser feitos eletronicamente e enviados diretamente para o paciente. Importante frisar que quando paciente “entra” para ser atendido pelo colega médico, assina um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Ao término da consulta, o
paciente recebe um resumo do atendimento em seu celular.
É exigido que o médico faça um curso de capacitação em Telemedicina ao custo de 90 (noventa) reais para o associado, uma vez que a APM entende ser muito importante o médico estar preparado para o atendimento em Telemedicina. Esse é o único custo que o associado tem, se quiser começar a usar essa “nova” modalidade de atendimento.
Todos esses passos são importantes, uma vez que a APM exige e preconiza que se faça o uso da Telemedicina da melhor e mais segura forma possível.
A princípio parece que são muitas coisas e que o processo é difícil. Não é, como toda novidade precisamos dar o primeiro passo, e nos acostumarmos e entendermos o modus operandi do processo. Após isso, tudo fica mais fácil e “a vida” do colega e do paciente se “encurtam” dentro desse “encontro”. Fundamental dizer que o uso da Telemedicina é uma escolha de mão dupla. Médico e paciente decidem usá-la, mas não são obrigados a fazê-lo. Se em algum momento do processo, qualquer parte envolvida preferir, ou se tornar necessário, o atendimento pode e deve se tornar presencial. A ideia é ter mais uma possibilidade de atendimento, quando for possível, viável e com a anuência das partes envolvidas.
Vamos em frente

Escrito por: DAVID ALVES DE SOUZA LIMA – PSIQUIATRA CRM: 112350

Não abandone os cuidados com a sua saúde

A Pandemia do COVID além de ter causado mais de 100.00 mortes pela própria doença no, tem contribuído para aumentar outras causas de mortalidade e de agravamento de doenças no Brasil. Milhões de brasileiros têm deixado de acompanhar e tratar outras doenças e isto tem preocupado as autoridades médicas.
Em primeiro lugar os serviços públicos e privados de saúde suspenderam grande parte dos atendimentos por precaução com a contaminação de seus usuários e para fazer uma reserva técnica para o enfrentamento da pandemia. Em outros casos o próprio atendimento à COVID ocupou toda a capacidade de atendimento dos serviços, não permitindo o atendimento normal à população. Em relação à medicina suplementar (Planos de Saúde) a ANS num primeiro momento suspendeu os prazos mínimos para o atendimento.
Por outro lado, os próprios pacientes suspenderam os comparecimentos aos serviços médicos por medo de se contaminarem. Os resultados começam a aparecer.
Em relação ao câncer, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e a Sociedade Brasileira de Patologia estimam que ao menos 70 mil pessoas com câncer deixaram de receber o diagnóstico da doença entre março e o fim de maio. Ainda de acordo com estas sociedades 70% das cirurgias deixaram de ser realizadas e o número de biopsias realizadas chegou a cair 80%.


Em relação a doenças cardíacas (cardiovasculares) levantamentos feitos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que houve um aumento nas mortes por doenças relacionadas ao coração e, principalmente, de pacientes que ficam em casa.
Em relação às mulheres, médicos ginecologistas da nossa região têm notado aumento em doenças inflamatórias do sistema reprodutor feminino. Pequenos incômodos que levavam as pacientes ao médico deixam de ser tratados e se transformam em doenças importantes. Outra constatação tem sido o aumento da gravidez não planejada por exatamente falta de orientação e acompanhamento.
Em todas as especialidades médicas temos constatado que perto de 80% dos pacientes deixaram de receber orientação médica e isto pode ter efeitos danosos à população.
Em alguns serviços temos notado que aumentaram os acidentes em casa, causando fraturas e outros danos.
Mas talvez a principal doença que tem causado grandes preocupações aos médicos tem sido as reações emocionais à pandemia, ao isolamento social e a perda de esperança para muitas pessoas. O desequilíbrio emocional pela pandemia é a porta de entrada e de agravamento de diversas doenças não só mentais como orgânicas.
Portanto, é importante que você não abandone os cuidados com a sua saúde.
Em São José dos Campos os serviços públicos de saúde continuam funcionando e tem adotado sérios protocolos de segurança para proteger os clientes. Em relação aos planos de saúde a ANS já recomendou que todos os serviços sejam prestados dentro do usual e caso você tenha problemas entre em contato com sua operadora e busque orientação e serviços dentro dos prazos.

Em relação aos serviços médicos prestados por médicos e clínicas há um grande esforço em proteger os clientes utilizando-se de todos itens de segurança e espaçando o horário das consultas.
Confie nos seus médicos.
A pandemia vai passar e você vai continuar.
Com saúde.

Escrito por: Dr. Sérgio dos Passos Ramos CRM: 17178 – GINECOLOGIA E OBSTETRICIA

Leite materno e vacina

Ao nos aproximarmos do mês de agosto, que na pediatria é o AGOSTO DOURADO, mês em que comemoramos a semana mundial de promoção ao aleitamento materno, cujo tema esse ano é “Apoiar a mulher que amamenta para um planeta mais saudável”, não podemos deixar de lembrar dessa dupla inseparável da imunidade infantil : leite materno e vacina. Cada um atua de uma maneira diferente na formação de defesas do organismo e juntas
aumentam de modo significativo a proteção contra os riscos de doenças.
A amamentação é uma das principais estratégias para redução da mortalidade infantil e ela fornece a nutrição adequada para o crescimento e desenvolvimento do bebê, sendo um alimento natural, renovável, produzido e oferecido ao bebê na temperatura ideal. Mesmo nos casos de mães infectadas pelo coronavírus e que não se sintam à vontade para amamentar diretamente, poderão extrair seu leite manualmente ou usando bombas de extração láctea (logicamente, com higiene adequada) e um cuidador saudável poderá oferecer o leite ao bebê por copinho, xícara ou colher.
Poderíamos citar evidências científicas diversas, as quais comprovam que essas duas formas de proteção devem ser adotadas em conjunto. Podemos citar que os bebês amamentados exclusivamente até os 6 meses ficam mais protegidos contra várias doenças infecciosas e alérgicas e respondem mais rapidamente aos efeitos das vacinas na
produção de anticorpos. O leite materno fornece anticorpos da mãe contra diarreias, pneumonias, otites, meningites, etc…, assim como reduzem a agressividade dos microrganismos nocivos. Porém, o alimento sozinho não é suficiente para gerar proteção completa, sendo a vacinação ESSENCIAL, uma vez que cada imunizante induz o
organismo da criança a produzir anticorpos específicos contra determinadas doenças.
A vacinação de rotina não pode ser deixada de lado, nem ser interrompida mesmo nesse período de pandemia pelo Covid 19. As unidades de saúde estão preparadas para esse atendimento obedecendo todas as medidas de segurança, amplamente conhecidas e divulgadas à população. Com essa união do aleitamento materno à vacinação
teremos crianças mais saudáveis e que certamente desenvolverão menos doenças ao longo de suas vidas.
Segundo fontes da Organização Mundial de Saúde (OMS), a mortalidade em bebês é 6 vezes menor naquelas que são amamentadas nos primeiros meses de vida, e conforme essa amamentação se estende, crescem os seus benefícios.
820.000 mortes por ano no mundo poderiam ser evitadas em crianças abaixo de 5 anos de idade, caso tivessem sido amamentadas até pelo menos os primeiros 2 anos, e de forma exclusiva até os 6 meses. Assim como, 2 a 3 milhões de mortes são evitadas no mundo, anualmente, com a vacinação.
Esses poucos argumentos mostram toda a importância do aleitamento materno e das vacinas. Vamos incentivar e orientar a todos, prevenção ainda é o melhor remédio!

Escrito por: Dr. Othon Mercadante Becker – Pediatra CRM: 41355

27 de julho – dia do Pediatra

Nos idos de 1722, o médico Theodore Zwinger, professor da Faculdade de Medicina da
Basiléia – Suíça , atento em suas observações clínicas, percebeu que os sinais e sintomas de uma mesma doença que acometiam tanto crianças quanto adultos apresentavam diferenças em sua forma e no conteúdo, levando à afirmação de que a criança não é uma miniatura do adulto e sim, um ser em formação. Baseado nessa sua percepção escreveu um livro ao qual deu o título de “Paedoiatreia – as doenças na infância”, de onde veio a palavra “pediatria”.
A pediatria é a especialidade da medicina que estuda, trata e acompanha o ser humano
desde o nascimento até a adolescência, ou até mesmo antes do nascimento na fase perinatal, quando há a necessidade de uma orientação pediátrica. O pediatra atua na busca constante da prevenção de doenças, desde o início da vida através do acompanhamento do aleitamento materno, imunizações (vacinas), prevenção de acidentes e sempre fornecendo às mães (e muitas vezes as avós também) as orientações necessárias para o crescimento e desenvolvimento saudável de seus filhos. E, quando necessário, intervenções curativas através de procedimentos e tratamentos de diversas patologias que
acometem as crianças e adolescentes, utilizando-se do melhor de sua capacidade profissional para a qual foram treinados e habilitados.
“Eu, pediatra, prometo que farei pela criança que me é confiada o que faria pelo filho da
minha carne “. Esse é o juramento do pediatra que comemora no Brasil o seu dia em 27 de julho, data essa escolhida por ser o dia da fundação da Sociedade Brasileira de Pediatria, essa centenária e importante instituição criada para a defesa da saúde da criança e adolescente que ocorreu em 27 de julho de 1910.
E, coincidentemente, 27 de julho é a data em que se comemora o aniversário da nossa
querida cidade de São José dos Campos, que nos acolheu e onde exercemos as nossas atividades profissionais. Por ser um feriado não temos jantares de confraternização …, mas com certeza temos o apreço e o reconhecimento de nossos colegas e dos pacientes, muitos deles que cresceram e hoje nos trazem seus filhos.
Feliz dia do pediatra!

Escrito por: Dr. Othon M. Becker – Pediatra – CRM: 41355

Desafios do novo normal na saúde corporativa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no dia 11 de março de 2020 a pandemia do novo coronavirus, denominado SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19.
São aproximadamente 14 milhões de casos confirmados no mundo e 2 milhões no Brasil com 80 mil óbitos.
Em São Paulo 400 mil casos com 19mil óbitos.
Desde então o mundo mudou e perguntas norteiam nossos pensamentos e reuniões estratégicas. Como lidar com os desafios para o Futuro da Saúde e do Trabalho diante da pandemia da Covid-19?
O primeiro passo é formar um grupo de crise com equipe multiprofissional, com o envolvimento da alta gestão, recursos humanos, segurança e saúde do trabalho.
O grupo deve definir o protocolo de manejo descordo com o perfil da empresa e com base nas diretrizes dos órgãos competentes e normas vigentes.
É fundamental implantar ações para mitigar o risco do contágio no ambiente produtivo.
Implementar o uso obrigatório da máscara, o distanciamento social, o não compartilhamento dos objetos, além de manter as salas arejadas, evitar qualquer tipo de aglomeração e triagem com aferição de temperatura.
O colaborador também deve assumir a sua responsabilidade, cumprir as medidas, realizar a higiene adequada das mãos e a etiqueta respiratória. Importante manter as diretrizes de etiqueta social de higienização, utilizando máscaras, respeitando o distanciamento e principalmente evitando aglomerações em seus horários
livres e de lazer.
As empresas devem conduzir os casos de maneira responsável através de uma comunicação efetiva diante de casos suspeitos com sintomas ( febre, diarreia, dor no corpo, cefaleia, tosse espirro, coriza, dor de garganta, falta de ar, perda de olfato e paladar) e ou os casos que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados
sem uso e máscara e sem distanciamento adequado.
Os casos confirmados deverão permanecer afastados no mínimo 14 dias.
O teletrabalho deve ser priorizado principalmente para o grupo de risco para complicação da covid-19 como idosos acima de 60 anos, doentes crônicos descompensados, imunodeprimidos e gestantes.
Além de todo o cuidado e manejo de prevenção segmento dos casos o desafio é seguir as tendências como o home office, que vieram para ficar.
Os casos de doenças psicossociais aumentam significativamente e investimentos na prevenção da saúde mental devem ser feitos para minimizar impactos sociais e profissionais.

A gestão de pessoas, de riscos e até mesmo a autogestão em um cenário de crise é desafio com aprendizados diários.
Comunicação, resiliência e atualização são itens fundamentais, o protocolo é vivo e as pesquisas estão em andamento.
O que ficou claro com a pandemia é que as empresas devem cuidar do seu bem mais precioso: as pessoas.

Escrito por: Dra. Nathalia Caterina CRM: 162639 – Médica ocupacional

A humanização na relação médico paciente

” Viu, sentiu compaixão, e cuidou dele” – Lucas 10:33-34

Certa feita um paciente se queixou do atendimento que recebera de um colega para o qual eu lhe encaminhara pedindo um parecer:” Acredite Doutor,
a consulta durou 05 minutos, com o médico em pé, e eu também!”. Liguei em
seguida para esse colega: ” Puxa meu amigo, você atendeu o paciente que te
encaminhei em 05 minutos?” ao que ele, sem esconder a ironia, respondeu:
“Pois é João Manuel, você sabe como é né, na primeira consulta a gente
sempre demora um pouquinho mais…”. Foram horas de espera, em troca de uma
consulta fria e rápida.

Bernard Lown, em A ARTE PERDIDA DE CURAR, afirma: “a medicina jamais teve a
capacidade de fazer tanto pelo homem como hoje. No entanto, as pessoas nunca
estiveram tão desencantadas com seus médicos. A questão é que a maioria dos
médicos perdeu a arte de curar, que vai além da capacidade do diagnóstico e
da mobilização dos recursos tecnológicos”; muitos médicos não olham mais nos
olhos dos pacientes, ou o ouvem com sincera atenção, ou se quer realizam um
exame físico adequado. Quando um paciente diz” Doutor, estou em suas mãos!”
ele espera exatamente isso: que o toquemos com nossas mãos, que o
examinemos e dele cuidemos atenta e respeitosamente.
Se medicina já é uma atividade humana porque a necessidade de humaniza-la?
Aprendemos na Faculdade, que a Medicina não é apenas ciência, mas também arte, e
que o nosso paciente não é uma doença, um diagnóstico, um CID,
mas um ser humano com história, com sentimentos, com amigos,
familiares, frustrações e angustias; não é o “tumor de cabeça de pâncreas do leito
10″, como me disse uma vez um colega, mas alguém que merece, além de todo
o processo investigativo e terapêutico, ser tratado como ser humano, numa
comunicação entre duas pessoas na qual uma tem o conhecimento para ajudar
a outra, que, por sua vez, tem um problema de saúde e merece ser tratada com dignidade.

Por onde anda a boa relação médico paciente ? No passado havia uma relação
forte e estreita entre médicos, pacientes e seus familiares; havia aquele
médico que conhecia muito bem o seu paciente e o acompanhava – as vezes
também ‘a sua família – ao longo de toda a vida .Em que momento foi que nos
distanciamos ? Foi com o advento dos convenios? Foram as novas tecnologias que nos permitiram
impensáveis e extraordinários avanços nos diagnósticos e tratamento das
doenças mas talvez tenham nos afastado do proprio paciente e diminuido a percepção
que nem todo “mal -estar” pode ser compreendido só através de exames
laboratoriais, invasivos ou por imagens? Ou talvez a “correria” do nosso dia
a dia, que inclui múltiplos afazeres e atividades profissionais que
precisamos encaixar dentro de orçamentos e agendas pessoais cada vez mais apertados?
Quem sabe a divisão do conhecimento em tantas especializadas e sub
especialidades tenha “roubado” do médico a visão do todo que é o seu
paciente? E o resultado é que passamos a focar muito mais na doença e nos resultados dos exames do que no próprio doente,que,afinal, é o principal motivo dos médicos existirem.
Temos especialidades hoje que prescindem do contato direto com o paciente,onde a tecnologia substitui o dialogo.Não podemos nos esquecer que cerca de 70% de todos os diagnósticos são alcançados apenas com r uma boa anamnese.
Por que os médicos do passado eram mais respeitados, quase venerados por pacientes que seguiam rigorosamente suas orientações ? Porque os conheciam melhor e ‘a sua familia? Dedicavam-lhes mais tempo? transmitiam mais confiança ao dizerem “fique tranquilo que vamos resolver isso”,do que nós hoje? Porque talvez trabalhassem melhor a fé e a religiosidade de seus pacientes?
Será a fé , merecedora de investigação e analise pela ciencia ,a ponto de ser utilizada em conjunto com a medicina moderna? Parece sim haver um beneficio tanto para os pacientes quanto para as suas familias quando aspectos religiosos e espirituais são respeitados.

Resgatar nossas raízes, recuperar a relação médico-paciente – um conjunto que envolve respeito, compromisso, ética, confiança, sinceridade, ciência e fé -, é condição sine qua non para o bom exercício da medicina, e isso passa obrigatoriamente por reumanizar o próprio profissional da saúde.
Para isso é preciso “gostar de gente “, reconhecer que não existem só doenças, mas também doentes e pôr em prática o amor ao próximo, utilizando todos os recursos que a medicina moderna nos disponibiliza.

João Manuel Maio

A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados

O médico David Souza Lima, presidente da APMSJC (Associação Paulista de Medicina), em São José dos Campos, ressalta que a pandemia do novo coronavírus reforçou ainda mais o papel dos médicos dentro da sociedade. Segundo ele, os profissionais que atuam na linha de frente estão sobrecarregados e a saúde mental deles também merece um cuidado especial.

“A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados, e que a pandemia mostrou e reforçou a grande necessidade e importância dos profissionais de saúde para a sociedade”, diz o médico.

A seguir, a entrevista completa com o com dr. David.

Como a pandemia reforçou o papel dos médicos?

Os médicos, assim como os outros profissionais considerados essenciais, reforçaram o seu protagonismo na sociedade. Os médicos que estão na linha de frente atendendo nos prontos socorros, enfermarias e UTIs têm ficado bastante sobrecarregados. A cobrança é muito grande e a tensão também, mas percebe-se que têm atuado com muita responsabilidade e sempre pensando no melhor para o paciente.

O que mudou no dia a dia na atuação dos profissionais de saúde?

O modo de trabalhar com medidas sanitárias mais rigorosas. O medo de se contaminar e contaminar outras pessoas tem gerado um stress grande nos profissionais da Saúde. Muito importante um olhar e um cuidado especial para saúde mental desses profissionais também.

Que tipo de cuidados extras os médicos estão tomando durante este período? Como os médicos estão lidando com essa pressão?

Equipamentos de proteção individual específicos estão sendo adotados, não é fácil a pressão psicológica e o medo de se contaminar, além de muitas horas extenuantes de trabalho com uma tensão maior do que a maioria estava acostumada.

A categoria médica poderá sair mais valorizada deste período de pandemia?

A APM acredita que os médicos devem ser sempre valorizados, e que a pandemia mostrou e reforçou a grande necessidade e importância dos profissionais de saúde para a sociedade.

É possível acreditar na descoberta rápida e segura da vacina contra a Covid-19? Ou ao menos um tratamento realmente eficaz?

Sim, a APM acredita na ciência e que a comunidade médica mundial está se mobilizando para que a vacina ou um tratamento eficaz esteja o mais rápido possível ao alcance de todos. Recentemente saiu um trabalho muito importante mostrando a importância da dexametasona na no tratamento da Covid-19. Protocolos já estão sendo mudados e a medicação já está começando a ser usada de forma rotineira, dependendo do quadro clínico que se apresente.

É possível dizer que já se atingiu o pico da pandemia no Brasil? Até que ponto o distanciamento social pode ajudar?

Os dados mostram que devemos nos preocupar sim com a curva, e que o distanciamento social é uma medida muito eficaz – talvez a mais importante entre todas, porém não podemos nos esquecer de todas as outras (lavar as mãos com frequência, uso do álcool gel, tomar um banho e trocar de roupa toda vez que chegar da rua, não entrar com sapatos em casa, uso de máscaras)

Qual a importância da parceria entre o OVALE e a APM?

A informação correta pode salvar vidas. Por isso, parcerias que dão visibilidade a informações de qualidade são de extrema importância.